Então, vamos aproveitar para ouvir algumas músicas:
Fon-Fon!- tango
"dedicada ao distincto amigo Mário Baptista Martins Barata".
piano: Arthur Moreira Lima
Quebradinha- polca
"própria para serenatas".
dedicada a seu filho Ernestinho.
Piano: Arthur Moreira Lima
Bandolim: Joel Nascimento
Trombone: Zé da Velha Regional: Época de Ouro
Tenebroso - tango
"Ao bom e velho amigo Sátyro Bilhar".
Jacob do Bandolim Regional: Época de Ouro
Matuto - tango
"dedicado ao amigo sincero Arnaldo Costa".
intépretes: Pixinguinha e Benedito Lacerda
Apanhei-te, cavaquinho!.. - polca
"Dedicada ao distincto e particular amigo Juracy Nazareth de Araújo".
piano: Ernesto Nazareth
clique aqui para ouvir. "Dedicado ao primo e amigo João Cândido de Castro Leal". Bandolim: Garoto
Brejeiro - tango
"Ao sobrinho Gilberto Nazareth".
obs: Primeiro "tango" publicado de Nazareth.
Regional:Choro das 3, hehehe
Ernesto Nazareth, em 1903
Espero que você tenha gostado de ouvir algumas músicas e de relembrar deste compositor espetacular, que influenciou a música brasileira positivamente, e principalmente o choro, que herdou o seu estilo "melodioso".
Por essa e por muitas outras, Ernesto Nazareth, me faz sentir orgulho de ser brasileira.
*Hoje é aniversário do bandolinista e compositor Evandro do Bandolim*
Evandro do Bandolim
Josevandro Pires de Carvalho ou Evandro do Bandolim ( João Pessoa, PB 19/03/1932 - São Paulo, SP 30/10/1994), com apenas dois anos de idade, se mudou com a família para o Rio de Janeiro.
Como seu pai tocava violão, desde muito cedo Evandro se interessou pela música.
Aos treze anos, começou a tocar bandolim, tendo aulas com o exímio bandolinista Luperce Miranda ( é pra quem pode! hehe).
Luperce Miranda
E nessa época, já frequentava as rodas de choro, e também passou a participar de programas de rádio
(ex: Rádio Mayrink Veiga e Rádio Tupi).
Cinco anos após gravar o seu primeiro LP, pela gravadora Chantecler, aos vinte e nove anos, Evandro se mudou para São Paulo, onde a sua carreira deu um grande salto, tocando em boates e emissoras de televisão.
Infelizmente, eu não consegui achar muitas informações sobre o Evandro, no entanto, ele é um instrumentista conceituado no meio do choro, tendo gravado muitos cds no Japão, onde ele também é muito querido.
Em sua homenagem, a sala de choro no fundo da loja Contemporânea, leva o nome de "Sala Evandro do Bandolim".
- Ouça "Ainda me recordo" - Pixinguinha e Benedito Lacerda, por Evandro do Bandolim e seu regional e Manezinho da flauta.
- Ouça "Cochichando" - Pixinguinha e Benedito Lacerda, por Evandro do Bandolim e seu regional e Manezinho da flauta.
- Ouça "Um a Zero" - Pixiguinha e Benedito Lacerda - por Evandro e seu regional e Manezinho da flauta.
Gostou? Então, procure ouvir o cd "Choro dos mestres", do Evandro e seu regional interpretando músicas do Pixinguinha e Benedito Lacerda.
Hoje, dia 14 de março de 2010, Benedito Lacerda estaria fazendo 107 anos. Infelizmente ele não está entre nós desde 1958, mas através dos registros fonográficos sua flauta maravilhosa e sua obra continuam nos encantando.
O engraçado é que eu descobri o "Benedito" há uns 9 anos atrás, quando o violonista Ed Gagliardi gravou umas fitas para mim com algumas interpretações do flautista, e desde então eu junto e ouço TUDO o que leve o nome dele, e vivo me surpreendendo.
Sempre converso com diversos músicos sobre a importância do Benedito Lacerda para a música popular brasileira e cada vez mais fico impressionada com o que ele fez.
Esta sexta-feira fui almoçar com o amigo Barão do Pandeiro (pandeirista que herdou a linguagem do mestre João da Bahiana, e que cresceu na cidade do Rio de Janeiro. O Barão conheceu e conviveu com grande parte dos maiores músicos que o país já teve e é incrível ouvir suas histórias), e estávamos conversando sobre ele.
" ... tem uma coisa sobre o Benedito, Corina, que pouca gente se liga. Ele foi o primeiro flautista de "samba" do Brasil. Porque veja bem, ele saiu da cidade dele (Macaé), onde ele tocava em bandas e tudo mais e depois foi pro Rio e caiu lá no morro do Estácio. Ele absorveu toda a música daquele lugar. O primeiro conjunto dele, o Gente do Morro, tinha na percussão o pessoal que fundou a primeira Escola de Samba..." E realmente é impressionante o balanço, o timbre da flauta, a divisão... era completamente diferente dos outros flautistas da época. Podemos compará-lo com Dante Santoro, por exemplo. Dante era um excelente flautista, dono de uma técnica de primeira. Mas ele era músico erudito. Ele não tinha a malícia e o balanço do Benedito.
Proponho uma comparação entre 3 grandes flautistas brasileiros: Pxinguinha, Benedito Lacerda e Dante Santoro. O objetivo não é dizer quem é melhor ou pior, até por que os três foram geniais, mas apenas mostrar a diferença de linguagem e interpretação entre eles. Felizmente tenho a mesma música, "Urubú Malandro", gravada por todos.
Então vamos ouvir o "Urubú" na versão do Pixinguinha e os 8 Batutas. Esta é a gravação mais antiga das três. Eu ADORO essa gravação. Os improvisos são simplesmente geniais.
Agora vamos ouvir o "Urubú Malandro" que foi gravado ao vivo pelo Benedito Lacerda na flauta e o Pixinguinha no sax, com direito a uma locução do Almirante para o programa "O Pessoal da Velha Guarda". O programa é de 1947.
(caso você queira ler o que aconteceu neste programa veja a transcrição que o pianista Alexandre Dias fez aqui. Se você quiser adquirir os programas na integra acesse o site da Collectors, que tem os acetatos originais). Esta é a do Dante Santoro, provavelmente de 1950.
Viu? Todas as gravações são muito boas, mas é possível perceber nitidamente a diferença de fraseado. No DVD "A Fala da Flauta" do mestre Altamiro Carrilho, ele conta um pouco sobre a sua relação e admiração pelo Benedito. Ele também fala sobre, Pixinguinha, Patapio Silva e Dante Santoro.
“Deles todos o que eu mais admirava era Benedito Lacerda, sem menosprezar ninguém. Ele foi um criador de um estilo novo, uma maneira nova de tocar, tinha um swing leve, alegre, sutil, com balanço rítmico impressionante, isso fazia a diferença”. (Altamiro Carrilho) - www.musicosdobrasil.com.br/benedito-lacerda
O Barão do Pandeiro e o Ed Gagliardi tiveram a sorte de poder conviver um pouco com o pessoal da antiga e ambos me contaram que " o Dino dizia sempre que o Benedito fazia uma introdução perto do microfone no estudio e depois se afastava uns 3 mestros quando o cantor começava a cantar. Aí ninguém segurava o homem. Ele saia pela sala de gravação dançando e fazendo contra-cantos..."
No filme "Alô, Alô Carnaval" é possível ver como ele dançava enquanto fazia os contracantos.
Achar este filme foi um grande presente pra mim. Estou procurando há 9 anos já... =)
Aniversário do Benedito, presente pra Corina! hehehehhe.
(O Benedito entra nos 5:35min do filme)
É... que coisa linda é a obra deste homem... Mesmo após 9 anos, continuo me emocionando toda vez que o ouço.
O Benedito se foi, infelizmente, mas ele vive e viverá para sempre através de suas gravações e no sopro dos flautistas que buscam esta brasileiríssima linguagem de flauta.
Espero que tenham gostado do Benedito, meu grande mestre!
Oi!
Vamos continuar com a história do grande compositor Frédéric Chopin. *Relembrando que, essa semana foi comemorado o seu bicentenário.*
manuscrito original de Frédéric Chopin, da "Tarantella, op.43, 1841.
Quando Chopin regressou à Varsóvia, já nos meses seguintes continuou às aulas no conservatório, e se empenhou bastante em compor. Escreveu várias composições, Fantasia sôbre Árias Polonesas - Opus13, e o Rondó à la Krakowiak - Opus 14, ambos para piano e orquestra, entre outras.
Em 20 de julho de 1829, Chopin concluiu o curso e recebeu o certficado, no qual havia uma observação do seu professor Joseph Xaver Elsner:
"Capacidade excepcional. Gênio musical".
Mikolaj Chopin percebeu que, seu filho era um prodígio e a Polônia não lhe oferecia condições para desenvolver o seu talento. Então, Joseph Elsner fez uma petição ao Ministério da Instrução Pública, pedindo uma verba oficial, que permitisse ao jovem viajar para o exterior, para ter contato com os grandes mestres estrangeiros.
A resposta do Ministro Grabowsky foi:
"[...] os fundos públicos não podem ser desperdiçados com o sustento desse tipo de artistas[...]"
Apesar da falta de apoio do governo polonês, a família Chopin se esforçou e juntou suas economias, e enviaram Chopin para Viena, em 1829.
Na cidade dos grandes mestres, como Mozart, Beethoven e Haydn, Chopin procurou o editor Haslinger para publicar suas obras. Este propôs que Chopin fizesse uma apresentação pública, e conforme fosse a reação do público eles entrariam num acordo, pois Haslinger não queria correr riscos.
Introdução e Polonaise Brilhante para pianoforte e violoncello ou violino, 1836
Em agôsto, o jovem pianista se apresentou, e a exigente platéia vienense o aplaudiu calorosamente. Alguns críticos, acostumados com a eloqüência usada pelos músicos da época, acharam que o rapaz precisava tocar com mais vigor. A despeito disso, a apresentação foi um sucesso, e por exigência do público, Chopin se apresentou novamente na semana seguinte.
Os maiores nomes do momento vinham cumprimentar Chopin, e o editor Haslinger não sustentava mais dúvidas quanto à públicar as suas obras. Depois de algumas semana, o jovem regressou à Varsóvia.
Tobias Haslinger, 1817
Na época que estava no conservatório, Chopin havia se apaixonado por Constantia Gladkowska, uma jovem cantora. No entanto, por causa da timidez de Chopin, Constantia não sabia dos sentimentos dele por ela. Apenas o seu amigo Tytus Woycechowsky estava a par da situação. Portanto, a composição do Concêrto em Fá Menor - Opus 21, para Piano e Orquestra foi desgastante para Chopin, pois seu espírito estava longe, pensando em Constantia, e não conseguia finalizar o trabalho.
"[...]Talvez, para minha desgraça, já tenha encontrado o meu ideal, a quem venero com toda minha alma[...] É com ela que sonho[...] E a ela dedico o Adagio do meu Concêrto[...]"
Frédéric Chopin
(obs: Constantia tomou conhecimento do amor de Chopin somente na sua velhice).
Adagio: indica um andamento (lento), ou no caso, é utilizado para dar nome a um movimento de uma sonata, sinfonia ou concêrto, e este deve ser tocado lentamente.
No dia 17 de março o Concêrto em Fá menor foi estreado no teatro Nacional de Varsóvia. As entradas se esgotaram e o sucesso foi absoluto : )
A idéia de viver no exterior, longe de Constantia e de sua família, deixou Chopin muito confuso, e com dificuldade para levar adiante o Concêrto em Mi Menor - Opus 11, que já iniciara. No entanto, ele sabia que era necessário buscar conhecimento e outros ambientes para desenvolver a sua genialidade.
Apesar disso, ele não conseguia ficar sem produzir música, e assim, compôs sucessivamente o Noturno em Dó sustenido menor, nº20 (publicado após a sua morte), os três Noturnos - opus 9, os dois primeiros Noturnos - opus 15 e o Estudo em Mi Maior - opus 10, nº3.
manuscrito original de Chopin, Noturno op.27, nº2
Algum tempo depois, Constantia e Chopin apresentaram-se juntos, e este tocou o Concêrto em Fá menor com muita emoção. Foi a sua despedida de Varsóvia.
Na manhã seguinte, completara vinte e um anos, e com um punhado de terra polonesa numa caixinha de prata, Chopin disse adeus à Polônia e foi para o sul.
manuscrito original de Chopin, Concerto em Fá menor, op.21 para piano e orquestra.
Assim que chegou em Viena, percebeu que esta não parecia a mesma cidade que conhecera. O público só assistia apresentações de músicos conhecidos, as salas de concêrto só aceitavam contratos com meses de antecêdenica, e dezenas de pianista lutavam para ter o seu espaço. O que o deixou um tanto chateado.
E para piorar, chegavam notícias de Varsóvia que uma nova revolução estava em curso, por causa da decisão russa de usar o exército da Polônia para acabar com o movimento nacionalista dos belgas. Os poloneses se identificavam com os belgas, e por isso ergueram armas contra o domínio russo-prussiano.
No começo, seus compatriotas tiveram algumas vitórias, mas depois a Rússia lançou uma violenta contra-ofensiva e as notícias que vinham de Varsóvia passaram a não ser muito boas.
Sua família já não respondia suas cartas, e atormentado Chopin compôs as melancolicas Scherzo em Simenor e a belíssima Balada em Sol Menor. Depois de muita dificuldade para conseguir um visto em seu passaporte, Chopin foi para a França.
Recebendo as tristes notícias de que o os russos estavam agindo com mais severidade, Chopin compôs o Estudo nº12, opus 10, e depois o famoso Estudo Revolucionário.
Setembro estava chegando ao fim, e Chopin estava sem dinheiro quando chegou em Paris. traduziu o seu nome para Frédéric François Chopin (assim como o seu pai havia traduzido seu nome para o polonês) e saiu em busca do sucesso e da fortuna.
Mozart ainda merecia respeito, mas as pessoas já não queriam ouvir músicas do clássicismo. Franz Liszt desbravava um novo caminho na música.
Frans Liszt, por Henri Lehmann
Apesar da sua formação classicista, Chopin fez sucesso entre a renovação que acontecia na música, e recebeu aplausos encorajadores do grande pianista e compositor (que era uma popstar da época) Franz Liszt e também de Mendelssohn, que o cumprimentaram pessoalmente.
O Príncipe Radziwill, que uma vez o ajudara quando pequeno, novamente se prontificou em ajudar Chopin, levando-o em uma festa na casa do Barão Rotschild.
Lá, Chopin tocou suas composições, e depois muitas pessoas vieram lhe pedir para ter aulas de piano; na época, as pessoas mais ricas de Paris. E assim, passou a frequentar o círculo da alta sociedade.
Chopin tocando para o Príncipe Radziwill, por Henryk Siemiradski
Na tournée que fêz pela Alemanha, em 1834, Chopin foi aclamado pelas cidade que passou: Aix-la-Chapelle, Dusseldorf, Koblenz e Carlsbad.
Nesta última, teve a grande felicidade de encontrar com seus pais, e passou um mês com eles. Depois os levou até a fronteira da Polônia, e seguiu para Dresde, onde teve outra agradável surprêsa: Felix Wodzinsky, ex-colega do Liceu, estava lá com toda a sua família, e o encanto de sua irmã, Maria Wodzinska, cativou Chopin. Dessa vez não deixou sua paixão em segredo, e dedicou à Maria a Valsa nº9 em Lá Bemol Maior (hoje famosa como "Valsa do Adeus")
Quando regressou à Paris, no fim de 1835, Chopin estava mais feliz do que nunca.
Infelizmente, nesse momento de alegria uma má notícia: os primeiros sinais de tuberculose, que nunca mais o deixaria, e uma febre começou a incomoda-lo todos os dias.
Ele tinha combinado de se encontrar com os Wodzinsky em Carlsbad,e de lá seguir para Dresde, onde Maria se tornou sua noiva. No entanto, o noivado não durou muito tempo, pois a mãe de Maria não queria que sua filha casasse com alguém com a saúde fraca e nem com um artista, que não teria um futuro certo.
Deprimido pela doença e com o fim do romance, ele juntou todas as cartas dos Wodzinsky num maço e escreveu "Moja bieda" (minha desgraça).
"Moja Bieda": minha desgraça. Maço contendo a correspondência entre Maria Wodzinska e Chopin
Nem a sua depressão, nem a doença fez com que Chopin se afastasse da música. Continuou compondo e lecionando, até que, no final de 1837, iniciou uma relação com a excêntrica escritora Aurore Dudevant, que assinava seu livro com o pseudônimo masculino George Sand. Ela era completamente oposta à personalidade de Chopin, mesmo assim, os dois viveram oito anos juntos.
George Sand, por Auguste Charpentier, 1835
O casal passou um perído na ilha de Majorca, para tentar restabelecer a saúde de Chopin, mas não conseguiram êxito. Depois, afastando-se da escritora, Chopin visitou a Inglaterra, e lá deu concêrtos e fez amigos.
Chopin e George Sand, por E. Delacroix
Em 1849, quando voltou à França, era um homem triste, doente e pobre. Apesar de ter ganho fortunas, gastou tudo. Por isso, dependia da generosidade de amigos para manter-se.
No dia 17 de outubro de 1849, às duas horas da madrugada, sua respiração ofegante cessou. Aos trinta e nove anos, Frédéric François Chopin faleceu.
Ele foi enterrado no cemitério Père Lachaise, em Paris, acompanhado pela elite da sociedade e da arte parisiense.
Durante o silêncio da cerimônia, ouviu-se o ruído de uma caixinha de prata que estava aberta. Nela, havia um punhado de terra da Polônia, que foi lançado sobre o túmulo, cumprindo a última vontade de Frédéric Chopin.
Essa semana foi comemorado o bicentenário de um compositor espetacular.
Frederyc Franciszek Chopin ou Frédéric François Chopin, vulgarmente conhecido apenas como Chopin( 01/03/1810 e 17/10/1849 ).
Obra de Eugène Delacroix, óleo sobre tela, 1838, Museu do Louvre, Paris.
Seu pai, Nicholas, fugiu de casa aos dezesseis anos, pois não gostava da vida do campo, nem dos vinhedos e nem da mentalidade de seus parentes. Então, a primeira providência que ele tomou, chegando em Varsóvia, foi traduzir seu nome para o polonês e abrir mão da sua cidadania francesa. Mikolaj (Nicholas) se tornou militar rebelde durante o domínio dos russos. Quando houve o levante para a liberdade da Polônia, ele se juntou aos nacionalistas. Contudo, o movimento foi derrotado. O território polonês foi dividido entre a Rússia, a Prússia e a Áustria. Depois, devido a vitória da Revolução Francesa, em 1789, o idioma francês tornou-se importante para os poloneses, nisso, Mikolaj viu uma oportunidade: ser professor de línguas da alta sociedade de Varsóvia. Por causa dos ambientes que frequentava, aprendeu a ser elegante, fino e com gosto requintado,e conveceu o Conde Skarbek a contratá-lo para orientar na educação de seu filho.
Assim, em 1802, Mikolaj Chopin deixou a capital e se mudou para a vasta propriedade do conde, numa localidade vizinha, Zelazowa Wola.
Casou-se com Tekla Justyna Kryzanowska e tiveram uma filha, Ludwika.
Em 1810, no dia 1 de março se alegraram com a chegada de um novo filho, que deram o nome Frederyck Franciszeck. Chopin teve uma infância muito tranquila em Zelazowa, mas depois, seu pai regressou à capital para lecionar num Liceu. Mais duas meninas aumentaram a família, Isabella e Emilie. Moravam num confortável apartamento, onde o pai pode instalar um pensionato para os alunos do Liceu. A mais alta classe da sociedade frequentava o apartamento para tomar aulas de piano com Tekla Justyna e para aperfeiçoar o francês com Mikolaj, pois a simpatia e o bom gosto do casal atraía a todos.
Tekla Justyna e Mikolaj Chopin
E foi nesse meio que Chopin creceu; recebendo a mesma educação que os jovens da nobreza recebiam.
A sua irmã Ludwika tocava piano e lhe ensinou o que sabia, pois a curiosidade e o interesse do irmão pela música e pelo piano já apareceram desde pequeno. Mas chegou uma hora que o garoto a ultrapassara.
O pai de Chopin, encantado com o talento do filho, arranjou-lhe um professor: Adalbert Zwyny. Este percebeu a genialidade de Chopin e procurou não sufocá-lo.
Casa da famíla Chopin em Zelazowa Wola.
Em 1817, Chopin compôs a Polonaise em Sol Menor, era a primeira composição de Chopin a ser publicada (ele teve que pedir para o seu professor que escrevesse a sua obra, pois não sabia escrever música).
Somente em 1822, Chopin alcançou êxito significativo, pois se apresentou para a mãe do Czar da Rússia. Esta ficou encantada com a fantástica interpretação do Concêrto em Mi menor, de Adalbert Gyrowetz.
Embora valorizasse o talento do filho, Mikolaj matriculou Chopin no Liceu, pois prezava a formação completa do menino, que passou a estudar Latim e Grego, História e Filosofia, e apenas nas horas de descanço se dedicava com afinco ao piano e à música, aprendendo teoria com o diretor do Conservatório de Varsóvia e amigo de Mikolaj: Joseph Elsner.
Quando completou o ano letivo, Chopin foi passar as férias num vilarejo do interior. No campo ele se encantou com a simplicidade dos aldeões, e teve contato com as músicas e danças populares. Impressionado, inspirou-se e compôs a Mazurka em Lá menor - opus.17 nº4 (compôs 57 mazurkas ao longo de sua vida).
Mazurca: dança animada, tradicional da Polônia (sec. XVI). Tornou-se conhecida por toda Europa, junto com a polca (de estrutura similar), durante a segunda metade do século XIX.
Joseph Elsner.
Chopin ingressou para o quarto ano do Liceu, pois tinha sido muito bem preparado pelo pai, e em julho de 1824, ele concluiu o curso com notas excelentes e prêmios em História e Literatura. (Nada melhor do que boas notas para animar, hehe). Contentíssimo, Chopin compôs a Polonaise em Si bemol Menor.
As realizações na escola e a nova peça trouxe um clima de festa e alegria à casa dos Chopin, que foi quebrado com a morte da caçula Emilie, em 1825, de tuberculose. A família toda ficou abalada, inclusive Chopin, que demorou mais de um ano para se recuperar, pois Emilie era a sua companheira mais próxima.
A família havia se instalado na estação termal da Silésia, por causa de Emilie, mas em 1826, Chopin regressou à Varsóvia. Apesar da melancolia, ele já havia decidido o seu futuro: matriculou-se no conservatório a fim de estudar música a sério, sob a orientação de Joseph Elsner.
Apesar da fama de Elsner de ser um professor intransigente, este tratou Chopin com benevolência e compreensão, pois já conhecia o extraordinário talento do rapaz, e por isso, incentivava-o a ser um mau aluno (hehe), que não fizesse os exercícios de rotina, para que ele apenas se dedicasse à composição de música pianística.
Nessa época, Chopin compôs Rondó à la Mazurka e depois Variações sobre um Tema de Mozart ( a ária "La ci darem la mano", da ópera "Don Giovani"). Apesar da influência classicista nessas peças, o estilo "chopiniano" já pode ser distinguido.
Em 1828, um amigo de seu pai, o Professor Jarocki, tinha uma passagem extra para Berlim e convidou Chopin. Foi a sua primeira viagem ao exterior e na capital alemã teve contato com muitos estilos de música, mas foi a "Ode a Santa Cecília", de Handel que mais o impressionou.
"É o que mais se aproxima ao ideal de música elevada que tenho em minha alma".
Frédéric Chopin.
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Curiosidade:
Quando regressavam, a diligência fêz uma parada para trocar os cavalos. Os passageiros já estavam enfastiados com a espera, quando de repente, se maravilharam com melodias tocadas ao piano: Chopin achara um velho piano e ficou tocando e improvisando por horas. Quando terminou, a diligênica já estava pronta e esperando há muito tempo.
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Assista ao vídeo do pianista Vladimir Horowitsz, interpretando a Mazurka em lá menor, opus.17 nº4.
Assista ao vídeo da pianista Valentina Lisitsa, interpretando "Variações sobre um tema de Mozart - La ci darem la mano, op.2".
Bem, não deixe de acompanhar a história deste compositor extraordinário, conhecido pelas suas composições melodiosas, que lhe resultou o epíteto de "O Poeta do Piano".
Ontem foi o aniversário de grande flautista brasileiro e de certo modo nosso chará de sobremone, Meyer, mas apesar disso não somos parentes hehe
Não pudemos postar ontem a matéria, vai aí :
Paulo Augusto Duque Estrada Meyer (15/02/1848 - 24/04/1905) foi um grande flautista e professor do Rio de Janeiro.
Meyer estudou com dois grandes flautistas:
Mathieu André Reichert, flautista belga, introdutor da flauta Boehm de prata no país.
Joaquim Antônio da Silva Calado, flautista brasileiro e compositor do primeiro Choro, Flor Amorosa.
Segundo a flautista Odete Ernest Dias:
“foi do encontro da técnica virtuosística de Reichert com a malícia rítmica de Callado que teria surgido a linhagem brasileira de flauta”.
Em 1881, Meyer já era um flautista conhecido no Rio de Janeiro, tocando com freqüência no Clube Beethoven, fundado em 1882 por Robert Jope Kisman Benjamin. O Clube Beethoven sustentou um quarteto permanente e apresentou 136 concertos de música de câmara, 4 grandes concertos sinfônicos no Cassino Fluminense e ainda 5 vesperais.O clube também se dedicou ao ensino de música e a conferências literárias, e teve como diretor da biblioteca ninquém menos que Machado de Assis.
Apesar da fama que o clube conquistou na época, o próprio Machado justificou nas páginas de "A Semana", de 5 de julho de 1896, que tudo que é bom tem seu fim.
"Mas tudo acaba, e o Clube Beethoven, como outras instituições idênticas, acabou. A decadência e a dissolução puseram termo aos longos dias de delícias".
Segundo Alexandre Gonçalves Pinto, conhecido como Animal, autor do livro publicado em 1936 "O Choro - reminiscências dos chorões antigos", Meyer era um bom "chorão", que executava com alma, sentimento e graça as músicas de Calado, Viriato, Silveira e Luizinho. Calado compôs em sua homenagem a quadrilha "Família Meyer".
Em 1883 tornou-se professor do Conservatório de Música, onde ensinou a Pattápio Silva.(clique e leia a matéria do blog)
Mais tarde se tornou inspetor de ensino e diretor de concertos.
Em 1888 recebeu de D. Pedro II a comenda da Ordem Rosa, no grau de cavaleiro.
Após a proclamação da República, quando o Conservatório passou a se chamar Instituto Nacional de Música, foi seu primeiro diretor, exercendo novamente o cargo com o falecimento do seguinte diretor Leopoldo Miguez.
Também foi regente titular da Filarmônica do Rio de Janeiro, fundada por Francisco Manuel da Silva, compositor da melodia do Hino Nacional Brasileiro.
O único registro como compositor de Meyer é a partitura da valsa "Receiosa". Infelizmente não existem gravações de Meyer, mas no cd Princípios do Choro você encontra a gravação, ouça abaixo.
Duque Estrada Meyer faleceu em 24 de Abril de 1905.
Depois de tocar numa feijoada deliciosa na TV Globo SP, e encontrar com alguns amigos, tivemos o prazer de sermos convidadas pelo João Lima pra responder a "Coluna de Música"
O João Lima tem um blog super bacana, onde ele fala de música e de futebol, o Fut Pop Clube.
Aqui vai o link http://colunademusica.wordpress.com/2010/02/09/choro-das-3/
hoje continuarei com a história do Rei do Carnaval: Lamartine Babo.
Lamartine Babo
Na última postagem, parei quando o Lala estava iniciando a carreira no rádio, em 1929, na Rádio Educadora.
Horas Lamartinescas - 1930
Programa apresentado por Lamartine, onde ele divulgava suas músicas, improvisava trocadilhos e contava piadas. Noel Rosa e Marília Batista, entre outros, também se apresentaram nesse programa.
Lamartine compôs e gravou o fox-charge "Canção para inglês ver" em 1931, que revela a sua originalidade(ou seja, seu senso de humor, hehe). Neste mesmo ano, passou a colaborar em outros jornais, e venceu um concurso da Casa Edson com "Bonde errado".
No rancho fundo - 1931
Lamartine ficou admirado com a melodia que Ary Barroso havia composto para o poema de J. Carlos "A grota funda", e resolveu escrever outra letra e mudou o nome para "No rancho fundo". Ary gostou tanto do resultado, que depois, compuseram uma grande lista de sucessos juntos.
Ary Barroso
-------------------------------------------------------------------------- Curiosidade Em 1935, Lala recebeu uma carta poética e apaixonada assinada por Nair Pimenta de Oliveira, da cidade de Boa Esperança, Minas Gerais. Eles se corresponderam por cerca de um ano, até que Nair se despediu de Lamartine. Algum tempo depois, o dentista Carlos Alves Neto enviou uma carta para Lamartine convidando-o para a festa de estréia de um conjunto musical, que seria na cidade de Boa Esperança. Lamartine aceitou o convite todo contente, esperando encontrar-se com Nair, mas teve uma grande surpresa. O dentista era quem escrevia as cartas, pois colecionava fotos de artistas e com essa correpondência aumentou sua coleção, ( Nair era uma garotinha e sobrinha de Carlos). Pelo menos, o resultado dessa história foi a linda canção "Serra da Boa Esperança", que depois foi gravada por Francisco Alves em 1937 e em 1952 (três dias antes de falecer num acidente de carro). Já pensou?!?! rsrs
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Francisco Alves
Com a censura imposta pelo Estado Novo, a partir de 1937, as composições carnavalescas de Lamartine ficaram raras, mas ele continuou com o rádio: o "Horas Lamartinescas" foi substituído por "Canção do dia", na rádio Mayrink Veiga, onde Lala apresentava uma música inédita por programa, e também produziu o "Clube da Meia-noite".
Depois, Lamartine foi para Rádio Nacional, onde passou a produzir a série "Vida Pitoresca dos Compositores da nossa Música Popular" e também levou junto o "Clube da Meia-noite", que mudou de nome para "Clube dos Fantasmas", em 1937.
Em 1939, Lala era diretor de um show ( Joujoux e balangandans) e compôs a marcha "Jou jou e balangandans" para esse show, que depois foi apresentado no Teatro Municipal.
Lamartine criou em 1942 o programa " Trem da Alegria", e lá apresentou o "Trio de Osso", formado pelo Heber de Bôscoli, Iara Sales e por ele mesmo, hehe. O programa fez muuuito sucesso, e foi passando de rádio em rádio, e só acabou (1955) quando o Heber faleceu, e Lamartine passou a se dedicar a União Brasileira de Compositores - UBC- como diretor.
-------------------------------------------------------------------- Curiosidade Sendo um grande fã de futebol e torcedor do América Futebol Clube, Lamartine escreveu hinos para todos...isso mesmo, todos os clubes cariocas. Depois, em 1943, os lançou no Trem da Alegria.
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Mas Lamartine não parou por aí. Ele também produziu o programa de televisão, foi o produtor do Copacabana Discos e publicou dois livros de humor: "Lamartiníadas e Pindaíbas".
Parou de fumar; engordou; gostava de receber seu amigos na sua casa e tomar uísque escocês; e por fim, se casou, aos 47 anos, com Maria José Barroso, (1951). E de vez em quando compunha uma marcha carnavalesca para animar o carnaval.
Em 1963, Carlos Machado produziu o show "O teu cabelo não nega", na boate do Copacaba Palace Hotel, que baseava-se na vida de Lala. Embora tenha assistido aos ensaios, Lamartine não chegou a ver o show, pois morreu de enfarte alguns dias antes da estréia, em 16 de junho de 1963, tamanha foi a emoção da homenagem.
Bem, a quantidade (e a qualidade) de composições que Lamartine Babo produziu é realmente impressionante. Portanto, vou postar apenas algumas. : )
"No Rancho Fundo" - com a belíssima voz ( e perfeita dicção, hehe) do Miltinho e acompanhado por nada mais, nada menos, que o Regional do Canhoto.
"Minha Cabrocha" - interpretado pelo Bando de Tangarás ( Almirante: pandeiro e voz, Braguinha: violão e voz, Henrique Brito: violão, Noel Rosa: violão, Alvinho: violão e voz). Gravado em 1930, pela Perlophon.
"Canção pra inglês ver" - interpretado pelo próprio Lamartine, em 1931 pela Odeon. obs:Por trás da engraçada voz de Lamartine, há uma sátira sobre a introdução de palavras estrangeiras no vocabulário do brasileiro ( o que ainda acontece hoje em dia).
"A.e.i.o.u" - marcha de Lamartine e Noel Rosa, interpretado por Lamartine, pela Victor, 1931. obs:Essa é para querida professorinha Isabelle, hehe.
"O teu cabelo não nega!..." - marcha de Lamartine Babo e Irmãos Valença, interpretada por Castro Barbosa, pela Victor, em 1931. obs: fez muuuito sucesso!!!
"Moleque Indigesto" - marcha de Lamartine, interpretado por Carmen Miranda e Lamartine, em 1933, pela Victor.
"Chegou a hora da fogueira" - marcha junina de Lamartine, interpretado por Carmen Miranda e Mários Reis, com arranjo de Pixinguinha, em 1933, pela Victor. obs:infelizmente as marchas juninas desapareceram do repertório musical, restando apenas as assinadas pos João de Barro, Benedito Lacerda, Lamartine Babo, Ary Barroso e Alberto Ribeiro, lançadas na década de 1930.
"Isto é lá com Santo Antônio" - marcha junina de Lamartine, interpretado por Carmen Miranda e Mário Reis, em 1934, pela Victor.
"Co,co, co, co, co, co, ró" - marcha de Lamartine e de Paulo Barbosa, interpretada por Carmen Miranda e acompanhado pelo Bando da Lua e pelo Garoto na violinha, pela Decca.
E para encerrar, a mais linda ( na minha opinião, hehe)...
"Serra da Boa Esperança" - samba canção de Lamartine interpretado Francisco Alves.
gravação de 1937 e a de 1952, ambas pela RCA Victor.
Bem, me diverti muito enquanto escrevia essa postagem. Ouvi muitas gravações, li várias histórias, me emocionei ouvindo a Serra da Boa Esperança, e eu e a Corina dançamos as marchinhas de carnaval, hehehe, e espero que vocês também aproveitem.
Oi!
Hoje eu vou escrever para você um pouquinho da história de um compositor de marchinhas e sambas que são muito conhecidos!
Apresento-lhe:
Lamartine Babo
Lamartine Babo nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10/01/1904.
Seu nome era Lamartine de Azeredo Babo mas também era chamado pelo epíteto de Lala.
Lamartine teve contato com a música desde pequeno, pois sua mãe e sua irmã tocavam piano, e seu pai era amigo de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense (entre outros), que sempre freqüentavam a sua casa.
Lamartine era muito criativo, e ainda menino, venceu um concurso literário com a poesia "O Frade que pedia esmola", e com treze anos de idade, compôs sua primeira valsa "Torturas de amor".
Uma vez, para provar para seus amigos da escola que conseguia compor uma música apenas com as notas dó, mi e sol, ele acabou compondo o fox-trot (ritmo norte-americano que fazia sucesso na época) "Pandorama". hehe
Em 1917, seu pai, Leopoldo de Azeredo Babo, faleceu.
E, influênciado pelo Colégio São Bento, onde fez o ginásio, compôs "Ave Maria" (em 1919), que depois foi tocada em seu casamento, e que é cantada nas igrejas católicas até os dias atuais.
Ingressou no Colégio Pedro II, onde se bacharelou em letras ( equivale ao colegial).
Depois, Lamartine queria cursar a Escola Politécnica ( em 1920), mas com a morte do pai, a família passava por uma situação financeira difícil, então, ele arranjou um emprego como office-boy na Light, para ganhar 50 mil réis por mês.
Mesmo com um salário pequeno, Lamartine economizava para ir ao Teatro Municipal, o Lírico ou o São Pedro de Alcântra ( João Caetano atualmente). Lá, ele se deleitava com as operetas vienenses, e neste mesmo ano ele compôs sua primeira opereta: "Cibele".
Em 1923, Lamartine foi convidado para colaborar na "Dom Quixote" (uma revista dirigida por Bastos Tigre voltada para o humor, sátira e críticas da época) por causa de seu bom humor e facilidade para fazer trocadilhos e piadas.
Foi demitido da Light em 1924 e conseguiu um emprego na Companhia Internacional de Seguros, mas permaneceu pouco tempo; passou a compor e a escrever para o teatro de revista.
Começou as escrever artigos e poesias para as revistas "Paratodos" e "Shimmy", mas usando os pseudônimos Frei Caneca, T. Misto, Janeiro Ramos, Poeta Cinzento, N.N. e Luxurious.
Seu amigo Eduardo Souto, o orientou para compor marchinhas de carnaval, por ser um meio lucrativo.
E em 1925, começou a compor para os ranchos "Recreio das Flores", "Africano", "Jardim dos Amores" e "Ameno Resedá", e fez muito sucesso com a marchinha "Foi Você".
A primeira música gravada de Lamartine Babo foi "Os calças-larga" , parceria com Gonçalves de Oliveira, que satirizava a moda das calças-boca-de-sino, para o Carnaval de 1928 por Frederico Rocha, pela Odeon.
Em 1929, iniciou sua carrreira no rádio, na Rádio Educadora, onde cantava e contava piadas.
Bem, no próximo post continuo com história da vida do Rei do Carnaval: Lamartine Babo.
Não deixe de acompanhar! : )
Nós pegamos uma agenda; uma enciclopédia da música brasileira (enorme) e anotamos na agenda todos os músicos e compositores que fazem parte do nosso meio. E depois, escolhi alguns compositores clássicos.
E hoje eu vou escrever sobre um compositor, que fez parcerias com Cartola, Ari Monteiro, teve composições gravadas pelo cantor das multidões, Orlando Silva, entre outras coisas.
Seu nome era José Gonçalves, mas era mais conhecido como Zé da Zilda.
Zé da Zilda
Nascido no subúrbio de Campo Grande, no dia 06/01/1908, com apenas cinco anos de idade começou a se interessar pelo cavaquinho, aprendendo os princípios da música com seu pai, que era músico.
Por volta de 1920, morava no morro da Mangueira, onde travou amizades com diversos sambistas,
(entre os quais Cartola).
Mais tarde, José Gonçalves entrou para companhia de teatro Casa de Caboclo, onde começou a cantar embolada e sambas, se acompanhando ao cavaquinho e violão, e também, interpretando o personagem Zé com Fome, que foi seu nome artístico durante muito tempo.
O Duque - Antônio Lopes de Amorim Diniz, que organizava a Casa de Cabloco- convidou José Gonçalves para formar uma dupla com Pente Fino (Claudionor Cruz), na Rádio Educadora.
Depois, com chefe de regional e com seu programa próprio, foi para Rádio Transmissora, onde conheceu a cantora Zilda, que fazia a sua estréia.
Inicialmente, Zilda e Gonçalves formaram a Dupla da Harmonia, e no carnaval de 1936, seu samba "Não quero mais" (com Cartola e Carlos Cachaça) fez muito sucesso, cantado pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, na Praça Onze, gravado por Araci de Almeida no seguinte (na Victor), e depois relançado por Paulinho da Viola. no LP Nervos de Aço, com o nome "Não quero mais amar a ninguém".
Zilda do Zé
Depois, Gonçalves e Zilda se casaram em 1938 e passaram a atuar na Rádio Clube do Brasil. Em seguida, Orlando Silva gravou "Meu pranto ninguém vê" ( José Gonçalves e Ataulfo Alves), na Victor.
Em 1939, a dupla passou a atuar na Rádio Cruzeiro do Sul. no programa de Paulo Roberto, que os batizou de Zé da Zilda e Zilda do Zé ( nome que a dupla adotou depois em suas apresentações).
O flautista Benedito Lacerda, Beti, Alfredinho, Pixinguinha, Zilda e Zé da Zilda, durante apresentação, 1946.
(da esq. para dir.)
Em 1940, com a política da Boa Vizinhança, Leopold Stokowski, grande admirador da música brasileira, navegou no S.S Uruguay para uma turnê da Boa Vizinhança ao Brasil, Argentina, Uruguai, entre outros países da América Central. Porém, antes de viajar, Stokowski solicitou a ajuda do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos para gravar e reunir nomes da mais legítima música popular brasileira e Zé da Zilda foi um deles.
No ano seguinte compôs o samba "Aos pés da cruz" com Marino Pinto, que foi para as "paradas de sucessos" na época, após ser gravada por Orlando Silva.
Em 1945, começaram a gravar músicas para o Carnaval, estreando com "Conversa", "Laurindo" (com Ari Monteiro), na Continental, e também trabalhavam na Rádio Mayrink Veiga. Depois, a dupla lançou vários sucessos.
Com apenas 48 anos de idade, Zé da Zilda faleceu (10/10/1954) vítima de um derrame cerebral. ------------------------------------------------------------------------------- "Da manhã de sexta à manhã de sábado perduraram as esperanças de que o derrame cerebral se tornasse frustrado e os médicos devolvessem aos ouvidos do povo a voz do seu cantor. Mas às 11h20m de anteontem entrou em luto o samba nacional ao confirmar-se a notícia triste: faleceu Zé da Zilda, que na linguagem musical proclamava que "o mundo inteiro não valia o seu lar", e que tornara amarguras da vida carioca em reclamação melodiosa no sucesso "Saca-rolha", no último carnaval. Contava ele com 46 anos de idade".
jornal O Globo, 1954
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Gonçalves, deixou gravado com Zilda para o carnaval de 1955, a marcha "Ressaca" ( da dupla com Valdir Machado) e o samba "Império do Samba" (da dupla).
Em homenagem a memória do marido, Zilda compôs os sambas "Vai que depois eu vou" ( com Aírton Amorim e Adolfo Macedo) 1956, e "Vem me buscar" ( com Adolfo Macedo).
Ouça aqui "Império do Samba", interpretado pelo Coro de Artistas da Odeon, gravado em 09/12/1954.
Ouça aqui "Meu pranto ninguém vê" (José Gonçalves e Ataulfo Alves), interpretado por Orlando Silva, gravado em 1938, pela Victor.
Ouça aqui "Aos pés da Cruz", com a belíssima voz de Orlando Silva, gravado em 15/01/1942, pela RCA Victor. Abraço