quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Lala - II

Oi,


hoje continuarei com a história do  Rei do Carnaval: Lamartine Babo.

Lamartine Babo

Na última postagem, parei quando o Lala estava iniciando a carreira no rádio, em 1929, na Rádio Educadora.

Horas Lamartinescas - 1930
Programa apresentado por Lamartine, onde ele divulgava suas músicas, improvisava trocadilhos e contava piadas. Noel Rosa e Marília Batista, entre outros, também se apresentaram nesse programa.

Lamartine compôs e gravou o fox-charge "Canção para inglês ver" em 1931, que revela a sua originalidade(ou seja, seu senso de humor, hehe). Neste mesmo ano, passou a colaborar em outros jornais, e venceu um concurso da Casa Edson com "Bonde errado".

No rancho fundo - 1931
Lamartine ficou admirado com a melodia que Ary Barroso havia composto para o poema de J. Carlos "A grota funda", e resolveu escrever outra letra e mudou o nome para "No rancho fundo". Ary gostou tanto do resultado, que depois, compuseram uma grande lista de sucessos juntos.


Ary Barroso

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Curiosidade
Em 1935, Lala recebeu uma carta poética e apaixonada assinada por Nair Pimenta de Oliveira, da cidade de Boa Esperança, Minas Gerais. Eles se corresponderam por cerca de um ano, até que Nair se despediu de Lamartine.
Algum tempo depois, o dentista Carlos Alves Neto enviou uma carta para Lamartine convidando-o para a festa de estréia de um conjunto musical, que seria na cidade de Boa Esperança.
Lamartine aceitou o convite todo contente, esperando encontrar-se com Nair, mas teve uma grande surpresa. O dentista era quem escrevia as cartas, pois colecionava fotos de artistas e com essa correpondência aumentou sua coleção, ( Nair era uma garotinha e sobrinha de Carlos).
Pelo menos, o resultado dessa história foi a linda canção "Serra da Boa Esperança", que depois foi gravada por Francisco Alves em 1937 e em 1952 (três dias antes de falecer num acidente de carro).
Já pensou?!?! rsrs
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Francisco Alves


Com a censura imposta pelo Estado Novo, a partir de 1937, as composições carnavalescas de Lamartine ficaram raras, mas ele continuou com o rádio: o "Horas Lamartinescas" foi substituído por "Canção do dia", na rádio Mayrink Veiga, onde Lala apresentava uma música inédita por programa, e também produziu o "Clube da Meia-noite".

Depois, Lamartine foi para Rádio Nacional, onde passou a produzir a série "Vida Pitoresca dos Compositores da nossa Música Popular" e também levou junto o "Clube da Meia-noite", que mudou de nome para "Clube dos Fantasmas", em 1937.

Em 1939, Lala era diretor de um show ( Joujoux e balangandans) e compôs a marcha "Jou jou e balangandans" para esse show, que depois foi apresentado no Teatro Municipal.

Lamartine criou em 1942 o programa " Trem da Alegria", e lá apresentou o "Trio de Osso", formado pelo Heber de Bôscoli, Iara Sales e por ele mesmo, hehe. O programa fez muuuito sucesso, e foi passando de rádio em rádio, e só acabou (1955) quando o Heber faleceu, e Lamartine passou a se dedicar a União Brasileira de Compositores - UBC- como diretor.
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Curiosidade
Sendo um grande fã de futebol e torcedor do América Futebol Clube, Lamartine escreveu hinos para todos...isso mesmo, todos os clubes cariocas. Depois, em 1943, os lançou no Trem da Alegria.
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Mas Lamartine não parou por aí. Ele também produziu o programa de televisão, foi o produtor do Copacabana Discos e publicou dois livros de humor: "Lamartiníadas e Pindaíbas".

Parou de fumar; engordou; gostava de receber seu amigos na sua casa e tomar uísque escocês; e por fim, se casou, aos 47 anos, com Maria José Barroso, (1951). E de vez em quando compunha uma marcha carnavalesca para animar o carnaval.

Em 1963, Carlos Machado produziu o show "O teu cabelo não nega", na boate do Copacaba Palace Hotel, que baseava-se na vida de Lala. Embora tenha assistido aos ensaios, Lamartine não chegou a ver o show, pois morreu de enfarte alguns dias antes da estréia, em 16 de junho de 1963, tamanha foi a emoção da homenagem.

Bem, a quantidade (e a qualidade) de composições que Lamartine Babo produziu é realmente impressionante. Portanto, vou postar apenas algumas.  : )

"No Rancho Fundo" - com a belíssima voz ( e perfeita  dicção, hehe) do Miltinho e acompanhado por nada mais, nada menos, que o Regional do Canhoto.


"Minha Cabrocha" -  interpretado pelo  Bando de Tangarás ( Almirante: pandeiro e voz, Braguinha: violão e voz, Henrique Brito: violão, Noel Rosa: violão, Alvinho: violão e voz). Gravado em 1930, pela Perlophon.

"Canção pra inglês ver" -  interpretado pelo próprio Lamartine, em 1931 pela Odeon.
obs: Por trás da engraçada voz de Lamartine, há uma sátira sobre a introdução de palavras estrangeiras no vocabulário do brasileiro ( o que ainda acontece hoje em dia).

"A.e.i.o.u" - marcha de Lamartine e Noel Rosa, interpretado por Lamartine, pela Victor, 1931.
obs: Essa é para querida professorinha Isabelle, hehe.

"O teu cabelo não nega!..." - marcha de Lamartine Babo e Irmãos Valença, interpretada por Castro Barbosa, pela Victor, em 1931. obs:  fez muuuito sucesso!!!

"Moleque Indigesto" - marcha de Lamartine, interpretado por Carmen Miranda e Lamartine, em 1933, pela Victor.

"Chegou a hora da fogueira" - marcha junina de Lamartine, interpretado por Carmen Miranda e Mários Reis, com arranjo de Pixinguinha, em 1933, pela Victor.
obs: infelizmente as marchas juninas desapareceram do repertório musical, restando apenas as assinadas pos João  de Barro, Benedito Lacerda, Lamartine Babo, Ary Barroso e Alberto Ribeiro, lançadas na década de 1930. 

"Isto é lá com Santo Antônio" - marcha junina de Lamartine, interpretado por Carmen Miranda e Mário Reis, em 1934, pela Victor.

"História ...do Brasil..." - marcha de Lamartine, interpretada por Almirante, em 1933, pela Victor.

"Grau dez..." - marcha de Lamartine e Ary Barroso, interpretada por Francisco Alves e Lamartine, gravada em 1934, pela Victor.

"Foi ela!..." -  samba de Ary Barroso e Lamartine, por Miltinho e regional do Canhoto.


"Na virada da montanha" -  samba de Lamartine e Ary Barroso, interpretada por Francisco Alves, em 1935, pela Victor.

"Cantores do Rádio" - marcha de Lamartine, João de Barro e Alberto Ribeiro, interpretada pela Carmen e Aurora Miranda, gravada em 1936 pela Odeon.

"Eu sonhei que tu estavas tão linda" - valsa de Lamartine e Francisco Matoso, por Francisco Alves, em 1941 pela Odeon.

"Co,co, co, co, co, co, ró" - marcha de Lamartine e de Paulo Barbosa, interpretada por Carmen Miranda e acompanhado pelo Bando da Lua e pelo Garoto na violinha, pela Decca.

E para encerrar, a mais linda ( na minha opinião, hehe)...

"Serra da Boa Esperança" - samba canção de Lamartine interpretado Francisco Alves.
gravação de 1937 e a de 1952, ambas pela RCA Victor.

Bem, me diverti muito enquanto escrevia essa postagem. Ouvi muitas gravações, li várias histórias, me emocionei ouvindo a Serra da Boa Esperança, e eu e a Corina dançamos as marchinhas de carnaval, hehehe, e espero que vocês também aproveitem.

Um grande beijo

Elisa

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Lala

Oi!
Hoje eu vou escrever para você um pouquinho da história de um compositor de marchinhas e sambas que são muito conhecidos!
Apresento-lhe:

 Lamartine Babo

 Lamartine Babo  nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10/01/1904.

Seu nome era Lamartine de Azeredo Babo mas também era chamado pelo epíteto de Lala.
Lamartine teve contato com a música desde pequeno, pois sua mãe e sua irmã tocavam piano, e seu pai era amigo de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense (entre outros), que sempre freqüentavam a sua casa.

Lamartine era muito criativo, e ainda menino, venceu um concurso literário com a poesia "O Frade que pedia esmola", e com treze anos de idade, compôs sua primeira valsa "Torturas de amor".
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Curiosidade 
Uma vez,  para provar para seus amigos da escola que conseguia compor uma música apenas com as notas dó, mi e sol, ele acabou compondo o fox-trot (ritmo norte-americano que fazia sucesso na época) "Pandorama". hehe

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Em 1917, seu pai, Leopoldo de Azeredo Babo, faleceu.
E, influênciado pelo Colégio São Bento, onde fez o ginásio, compôs "Ave Maria" (em 1919), que depois foi tocada em seu casamento, e que é cantada nas igrejas católicas até os dias atuais.
Ingressou no Colégio Pedro II, onde se bacharelou em letras ( equivale ao colegial).
Depois, Lamartine queria cursar a Escola Politécnica ( em 1920), mas com a morte do pai, a família passava por uma situação financeira difícil, então, ele arranjou um emprego como office-boy na Light, para ganhar 50 mil réis por mês.
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Curiosidade
Mesmo com um salário pequeno, Lamartine economizava para ir ao Teatro Municipal, o Lírico ou o São Pedro de Alcântra ( João Caetano atualmente). Lá, ele se deleitava com as operetas vienenses, e neste mesmo ano ele compôs sua primeira opereta: "Cibele".
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Em 1923, Lamartine foi convidado para colaborar na "Dom  Quixote" (uma revista dirigida por Bastos Tigre voltada para o humor, sátira e críticas da época) por causa de seu bom humor e facilidade para fazer trocadilhos e piadas.

Foi demitido da Light em 1924 e conseguiu um emprego na Companhia Internacional de Seguros, mas permaneceu pouco tempo; passou a compor e a escrever para o teatro de revista.
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Curiosidade
Começou as escrever artigos e poesias para as revistas "Paratodos" e "Shimmy", mas usando os pseudônimos Frei Caneca, T. Misto, Janeiro Ramos, Poeta Cinzento, N.N. e Luxurious.
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Eduardo Souto


Seu amigo Eduardo Souto, o orientou para compor marchinhas de carnaval, por ser um meio lucrativo.
E em 1925, começou a compor para os ranchos "Recreio das Flores", "Africano", "Jardim dos Amores" e "Ameno Resedá", e fez muito sucesso com a marchinha "Foi Você".

A primeira música gravada de Lamartine Babo foi  "Os calças-larga" , parceria com Gonçalves de Oliveira, que satirizava a moda das calças-boca-de-sino, para o Carnaval de 1928 por Frederico Rocha, pela Odeon.

Em 1929, iniciou sua carrreira no rádio, na Rádio Educadora, onde cantava e contava piadas.

Bem, no próximo post continuo com história da vida do Rei do Carnaval: Lamartine Babo.
Não deixe de acompanhar!  : )

bjos
Elisa

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Zé da Zilda

Oi

Nós pegamos uma agenda; uma enciclopédia da música brasileira (enorme) e anotamos na agenda todos os músicos e compositores que fazem parte do nosso meio. E depois, escolhi alguns compositores clássicos.

E hoje eu vou escrever sobre um compositor, que fez parcerias com Cartola,  Ari Monteiro, teve composições gravadas pelo cantor das multidões, Orlando Silva, entre outras coisas.

Seu nome era José Gonçalves, mas era mais conhecido como Zé da Zilda.


Zé da Zilda

Nascido no subúrbio de Campo Grande, no dia 06/01/1908, com apenas cinco anos de idade começou a se interessar pelo cavaquinho, aprendendo os princípios da música com seu pai, que era músico.
Por volta de 1920, morava no morro da Mangueira, onde travou amizades com diversos sambistas,
(entre os quais  Cartola).
Mais tarde, José Gonçalves entrou para companhia de teatro Casa de Caboclo, onde começou a cantar embolada e sambas, se acompanhando ao cavaquinho e violão, e também, interpretando o personagem Zé com Fome, que foi seu nome artístico durante muito tempo.
O Duque -  Antônio Lopes de Amorim Diniz, que organizava a Casa de Cabloco- convidou José Gonçalves para formar uma dupla com Pente Fino (Claudionor Cruz), na Rádio Educadora.
Depois, com chefe de regional e com seu programa próprio, foi para Rádio Transmissora, onde conheceu a cantora Zilda, que fazia a sua estréia.

Inicialmente, Zilda e Gonçalves formaram a Dupla da Harmonia, e no carnaval de 1936, seu samba "Não quero mais" (com Cartola e Carlos Cachaça) fez muito sucesso, cantado pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, na Praça Onze, gravado por Araci de Almeida no seguinte (na Victor), e depois relançado por Paulinho da Viola. no LP Nervos de Aço, com o nome "Não quero mais amar a ninguém".

Zilda do Zé

Depois, Gonçalves e Zilda se casaram em 1938 e passaram a atuar na Rádio Clube do Brasil. Em seguida, Orlando Silva gravou "Meu pranto ninguém vê" ( José Gonçalves e Ataulfo Alves), na Victor.
Em 1939, a dupla passou a atuar na Rádio Cruzeiro do Sul. no programa de Paulo Roberto, que os batizou de Zé da Zilda e Zilda do Zé ( nome que a dupla adotou depois em suas apresentações).


O flautista Benedito Lacerda, Beti, Alfredinho, Pixinguinha, Zilda e Zé da Zilda, durante apresentação, 1946.
(da esq. para dir.)

Em 1940, com a política da Boa Vizinhança, Leopold Stokowski, grande admirador da música brasileira, navegou no S.S Uruguay para uma turnê da Boa Vizinhança ao Brasil, Argentina, Uruguai, entre outros países da América Central. Porém, antes de viajar, Stokowski solicitou a ajuda do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos para gravar e reunir nomes da mais legítima música popular brasileira e Zé da Zilda foi um deles.

No ano seguinte compôs o samba "Aos pés da cruz" com Marino Pinto, que foi para as "paradas de sucessos" na época, após ser gravada por Orlando Silva.

Em 1945, começaram a gravar músicas para o Carnaval, estreando com "Conversa", "Laurindo" (com Ari Monteiro), na Continental, e também trabalhavam na Rádio Mayrink Veiga. Depois, a dupla lançou vários sucessos.

Com apenas 48 anos de idade,  Zé da Zilda faleceu (10/10/1954) vítima de um derrame cerebral.
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"Da manhã de sexta à manhã de sábado perduraram as esperanças de que o derrame cerebral se tornasse frustrado e os médicos devolvessem aos ouvidos do povo a voz do seu cantor. Mas às 11h20m  de anteontem entrou em luto o samba nacional ao confirmar-se a notícia triste: faleceu Zé da Zilda, que na linguagem musical proclamava que "o mundo inteiro não valia o seu lar", e que tornara amarguras da vida carioca em reclamação melodiosa no sucesso "Saca-rolha", no último carnaval. Contava ele com 46 anos de idade".
jornal O Globo, 1954
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Gonçalves, deixou gravado com Zilda para o carnaval de 1955, a marcha "Ressaca" ( da dupla com Valdir Machado)  e o samba "Império do Samba" (da dupla).

Em homenagem a memória do marido, Zilda compôs os sambas "Vai que depois eu vou" ( com Aírton Amorim e Adolfo Macedo) 1956, e "Vem me buscar" ( com Adolfo Macedo).

Ouça aqui "Império do Samba", interpretado pelo Coro de Artistas da Odeon, gravado em 09/12/1954.

Ouça aqui  "Meu pranto ninguém vê" (José Gonçalves e Ataulfo Alves), interpretado por Orlando Silva, gravado em 1938, pela Victor.


Ouça aqui "Aos pés da Cruz", com a belíssima voz de Orlando Silva, gravado em 15/01/1942, pela RCA Victor.
Abraço


Elisa

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Pedacinhos do Céu

Olá!
Posto hoje esse ótimo video com a execução do choro Pedacinhos do Céu pelo Arthur Moreira Lima no piano, Paulo Moura no clarinete e o Heroldo do Monte na guitarra.
Espero que goste!
Beijos,

Lia


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Visita Vip


Passadas as festas de fim de ano, voltamos a escrever no blog
E falando em festas e ano novo, sabe qual foi o nosso primeiro programa do ano?
O Visita Vip, com  a Mirian Ramos e o Lupércio Tomás hehe
Já tivemos a alegria de participar outras vezes do programa, post 1 - post 2, mas dessa vez foi especial por ser o primeiro dia do ano!
Como sempre demos risadas até não poder mais hehe
Infelizmente o programa ainda não entrou no arquivo do site, mas você pode ir ouvindo os outros até que o nosso entre no ar.
Mas as fotos você já pode conferir abaixo!
Beijos,

meninas






quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009!!

É com muita alegria que nós fechamos este ano.
Olhamos pra trás e vemos as coisas bacanas que fizemos, as pessoas e os lugares maravilhosos que conhecemos e percebemos que esse foi um bom ano.
Claro, que também vemos o que não pudemos realizar, mas que já está na nossa "listinha" de resoluções para 2010 (10 metros de lista hehe)
Pro último dia do ano, decidimos fazer uma retrospectiva com algumas fotos do que fizemos este ano.
É só clicar na imagem abaixo, ok?
Bom, desejamos pra você e para os seus entes queridos que 2010 seja um ano recheado de saúde, alegrias, fartura, trabalho e música.
Agradecemos você por ter achado um tempinho pra entrar aqui no blog, ou nos mandar um email, pra falar com a gente.
Ah, e já no primeiro dia do ano você pode nos ouvir na Rádio USP, fm 93,7, no Visita Vip das 13h as 14s! Heeee
Um grande beijo no seu coração!
Lia, Elisa e Corina.


Retrospectivs 2009

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Os 5 +

Final de ano é uma correria só pra todo mundo, não é mesmo?
Mas é uma época em que todo mundo se preocupa mais com o próximo, em visitar a família e os amigos.
O nosso foi uma correria só, ainda bem, tocamos bastante, visitamos a família e tivemos muitas visitas também, com o técnico do speedy e do computador hehe
Nós esperamos que todos vocês tenham tido um ótimo Natal, com muita alegria, paz, música e alguns presentinhos também hehe
Bom, achamos legal postar hoje os 5 posts mais comentados do ano:

1 - Ponta Pé Inicial - Lia
Programa esportivo voltado para o futebol, mas que sempre fala um pouquinho sobre arte, principalmente música, e ainda leva convidados muito bacanas, como nós hehe

2 - TV SESC - Lia
Programa do show de um artista no SESC Instrumental Paulista, entre as músicas você ainda assiste comentários do próprio artista ou de outros grandes nomes, como no nosso onde o Zé Barbeiro e a Roberta Valente falaram sobre a gente.

3 - Nazareth e a Paulicéia - Elisa
Post sobre Nazareth e São Paulo, chamada carinhosamente de Paulicéia.

4 - 5 Companheiros - Lia
Post sobre a roda do Choro das 3 com o Conjunto Paulistano.

5 - Errol Garner - Elisa
Post sobre o grande compositor e pianista, com a Elisa executando uma música dele ao piano.

Pois é, parece que eu sai ganhando com os comentários hehe
Obrigada pelo carinho de todos vocês que vem nos acompanhando e nos presenteando com os seus comentários, né Isabelle ;-)
Beijos,

Lia

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Gente Humilde

Tivemos alguns probleminhas com o computador, por isso não postamos esses dias, mas por hora estão resolvidos hehe
Estava vasculhando o youtube e achei esse video muito legal de um programa apresentado pelo pianista Arthur Moreira Lima.
Ele no piano, Joel Nascimento - bandolim, Zé da Velha - trombone, Paulo Moura - clarinete, Zé Menezes - violão tenor, Raphael Rabello - violão 7 cordas, João Pedro Borges - violão 6 cordas, Heraldo Dumont - violão 6 cordas, Luciana Rabello - cavaco, Jorginho - pandeiro.
Eles  executam Gente Humilde do Garoto, que ficou muito conhecida pela letra de Vinicius de Morais e de Chico Buarque.
Beijos,

Lia

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Diário de Bordo Mirandópolis!


Neste fim de semana fizemos uma viajem de mais de 1000 Km!
Fomos para Mirandópolis, mas fizemos uma parada em Araçatuba.
Na verdade a viagem de ida foi um pouco "morta", já que saímos de casa na sexta - feira por volta das 7 horas da manhã e fomos direto para Araçatuba, onde tinhamos dois compromissos hehe
O primeiro foi uma participação num programa do SBT da região,a TVI. Tivemos uma surpresa muito boa quando entramos no studio, um dupla sertaneja! Tocaram viola caipira e tudo, muito bacana!
O pessoal da Tv foi muito atencioso e simpático, o programa era ao vivo e tivemos uns dois minutos pra acertar tudo, UFA! Ainda bem que deu tudo certo hehe
Depois disso fomos na praia municipal. É que em Araçatuba o Rio Tietê já é limpinho e queríamos ver de perto. Bom, ele estava tão limpo que eu vi uma cabecinha na água e avisei todo mundo, quando fomos ver melhor era uma COBRA! Aí credo!
Nós ainda vimos vários passarinhos de perto e a Elisa coletou algumas conchinhas!
Nos perdemos na cidade e fomos almoçar um pouquinho tarde hehe
Depois do almoço seguimos pra Rádio Cultura Fm de Araçatuba, onde fizemos um programa hilário com o Mário! Demos risadas do começo ao fim, só de lembrar já começo a rir!Todos da rádio nos receberam muito bem.

Chegamos no final da tarde em Mirandópolis e depois de arrumar tudo no hotel fomos passar o "pente fino" nos restaurantes da cidade, hehe, acabamos nos decidindo pelas barraquinhas de lanche na praça que estavam fervendo de gente hehe Vocês não acreditam no tamanho do sanduíche!
O show foi no dia seguinte as 10 da manhã no coreto da praça, um lugar lindo!
O show foi ótimo! O som estava bom e a platéia melhor ainda :)
Depois do show botamos o pé na estrada e decidimos voltar pela Serra de Botucatu.
A paisagem é deslumbrante, nós ainda paramos numa Capela de São Cristovão, que fica bem no alto de um morro. A vista nos deixou boquiabertos!
Nós ainda vimos dois TUCANOS livres! O Lucídio parou o carro e a gente ficou tentando fotografar e filmar, eles eram lindos!!
Agora acho melhor você assistir ao video pra saber como foi, esperamos que goste, procuramos registrar
tudo que fosse diferente para você que não estava com a gente participar um pouco da nossa viajem.
Beijos,
Lia


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dia do Musico!




Ontem, dia 22 de novembro foi o  Dia do Músico!
Não deu pra escrever ontem, mas hoje você vai ficar sabendo um pouquinho da história hehe
Dia 22 de novembro é o dia da Santa Cecília.
Santa Cecília era uma jovem de uma nobre familia romana, que apesar do seu desejo de se devotar a religião desde criança, foi prometida em casamento a um nobre patricio romano, Valeriano.

O ofício de sua festa traz como antífona um tópico das atas do martírio de Santa Cecília, as quais afirmam que a Santa, nos festejos do casamento, ouvindo o som dos instrumentos musicais, teria elevado o coração a Deus nestas piedosas aspirações: “Senhor, guardai sem mancha meu corpo e minha alma, para que não seja confundida”.

Estando só com o noivo, disse-lhe Santa Cecília com toda a amabilidade e não menos firmeza: “Valeriano, acho-me sob a proteção direta de um Anjo que me defende e guarda minha virgindade. Não queiras, portanto, fazer coisa alguma contra mim, o que provocaria a ira de Deus contra ti”. A estas palavras, incompreensíveis para um pagão, Santa Cecília fez seguir a declaração de ser cristã e obrigada por um voto que tinha feito a Deus de guardar a pureza virginal.

Assim, passando os dois a participar diariamente da missa celebrada nas catacumbas da via Ápia. Em seguida, Valeriano fez o mesmo com o irmão Tibúrcio, e com Máximo, seu amigo íntimo, e por isso os três foram martirizados pouco tempo depois, enquanto Santa Cecília, prevendo o que lhe aconteceria, distribuiu aos pobres tudo o que possuía.

Pouco tempo depois Santa Cecília foi presa e condenada, vindo a falecer somente depois de vários castigos, com três golpes no pescoço, sem  ter a cabeça separada do tronco. Santa Cecília, mortalmente ferida, caiu por terra e ficou três dias nesta posição. Aos cristãos que a vinham visitar dava bons e caridosos conselhos. Ao Papa entregara todos os bens, com o pedido de distribuí-los entre os pobres. Outro pedido fora o de transformar a sua casa em igreja, o que se fez logo depois de sua morte. Foi enterrada na Catacumba de São Calisto.

Uma aparição da Santa ao Papa Pascoal I (817-824) trouxe luz sobre este ponto. Achou-se o caixão de cipreste que guardava as relíquias. O corpo foi encontrado intacto e na mesma posição em que tinha sido enterrado. O esquife foi achado em um ataúde de mármore e depositado no altar de Santa Cecília. Ao lado da Santa acharam seu repouso os corpos de Valeriano, Tibúrcio e Máximo.

Desde o séc. XV Santa Cecília é considerada padroeira dos músicos.

Bom, essa é a história da Santa que protege todos os músicos, agora sendo você músico ou um ouvinte, desejamos que a Santa Cecília sempre olhe por você.

Beijos,

Lia

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sesc Consolação!

Depois de alguns videos nossos numa roda, vem agora uma matéria sobre um show hehe
Tocamos semana passada no Sesc Consolação as 15:00.
O show foi cheio de surpresas pra gente!
Pra começar, o Sesc Consolação dá aulas de música, e o nosso camarim era em uma das salas de aula.
Num canto da parede estavam seis contra-baixos, o som é impressionante! (você realmente achou que a gente não ia experimentar hehe)
Numa outra sala encontramos um piano, que a Elisa não perdeu tempo e toucou um tempinho! hehe
Depois disso fomos passar o som e tocar.
Encontramos vários amigos como o Sr. Jacob e a Shirley, o Afonso, a Rosa, o Giovani, o Wagner com Larissa e a Mariana e o Sr.Wilson, que tirou todas essas fotos ótimas!
Bejios,

Lia











segunda-feira, 16 de novembro de 2009

1x0

Encerrando os posts da roda com o Conjunto Paulistano, posto o último video!
Dessa vez, estamos tocando o 1x0, do Pixinguinha e Benedito Lacerda.
Um detalhe muito legal é no final do video, quando o Stanley, a Corina e Elisa tocam o solo da terceira parte sozinhos! Ficou muito legal!
Aproveite!
Beijos,

Lia


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Roda!

Continuando o post anterior, sobre a roda com o Conjunto Paulistano, posto aqui mais um video.
Dessa vez tem uma novidade! hehe
Estamos acompanhando o João Macacão cantando!
Foi tudo de improviso, mas ficou muito bacana, como vocês podem conferir abaixo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

5 Companheiros

Neste sábado tivemos a alegria de encontrar com grandes amigos!
O João Macacão, Stanley, Joãozinho e o Tigrão, ou melhor, o Conjunto Paulistano!
Nós os conhecemos desde que começamos a ir para São Paulo, mais ou menos uns 7 anos.
É sempre bom encontrar com os amigos, principalmente quando a gente pode dar uma "canjinha" hehe
No video abaixo tocamos uma música do Pixinguinha, 5 Companheiros.
Reparem no som único do Stanley no clarinete, no Joãozinho dando um show de cavaco e na batida inconfundivel do Tigrão no pandeiro!
Aproveite!
Beijos,

Lia



terça-feira, 27 de outubro de 2009

Paganini

Fiquei muito feliz quando li que a Isabelle sentia faltas dos meus posts, hehe
Então, pra matar a saudade vou escrever hoje sobre uma grande compositor e violinista italiano.
Niccolò Paganini nasceu em Gênova, 27 de outubro 1782 e faleceu em Nice, 27 de maio 1840.
Seus pais, Antonio e Teresa Paganini, tiveram 6 filhos, mas somente Niccolò se interessou pela música.
Quando criança era obrigado pelo próprio pai (que era violinista amador) a estudar violino muitas horas por dia, sob ameaça de castigos severos.
Como toda criança da época, Niccolò Paganini foi atacado tão severamente por sarampo que certo dia foi dado como morto, e seu corpo foi embrulhado em uma mortalha, e só por acaso é que não foi enterrado prematuramente, deixando-o doentio pelo resto da vida.

Começou a viajar sempre em compania do pai em busca dos mestres italianos e quando tinha nove anos de idade foi para Parma a fim de estudar com o famoso violinista Alessandro Rolla. Após ter executado o mais recente concerto de Rolla na primeira leitura, entretanto, o velho mestre aconselhou- o a continuar os seus estudos em composição:"Nada tenho a lhe ensinar, meu menino, vá e procure Ferdinando Paër".
Em 1795, Paganini - então com treze anos - após um desenpenho fenomenal num teatro em Gênova, passou a ser conhecido como a “a criança-maravilha.” Seu pai decidiu leva-lo a maiores professores. Ele começou o estudo de composição então sob Ferdinando Paër em Leghorn.
A compania do pai passou a ser insuportável para Paganini.
Então ele se inscreveu no Festival de San Martim em Lucca, tendo como compania o irmão mais velho. A partir de Lucca ele viajou por toda a região fazendo muito sucesso.
Paganini ganhou direinho suficiente para se manter sozinho e em 1801, abdicou da companhia de seu pai e retomou a função de concertista. Viajou à Lucca, onde tornou-se professor do Príncipe, além de primeiro violino da orquestra da Corte.
Somente com 16 anos a liberdade virou-lhe a cabeça. Paganini começou a ter uma vida devassa e a jogar muito. Por várias vezes teve que penhorar o violino para poder pagar as dividas de jogo.
Até que um dia, com um concerto marcado e com o violino penhorado, um amigo, Monsieur Livron, ofereceu-se a emprestar lhe o próprio e valioso Guarnerius. Monsieur Livros ficou tão encantado que que insistiu para que ficasse com o precioso instrumento como um presente, que era uma peça muito valiosa entre os instrumentos musicais da época. Logo após isto, Paganini quase perdeu, em uma noite, no jogo, este violino famoso. Quando, na manhã seguinte, ele viu que quase tinha jogado fora a sua posse mais preciosa, jurou nunca mais chegar perto de uma mesa de jogo, e ele manteve a sua promessa.
Entre 1801 - 1805 Paganine desapareceu da vida pública, há quem diga que ele viveu durante estes anos em retiro completo no castelo de uma senhora da Toscana, uma guitarrista e cantora lírica, dedicando seu tempo a dominar o violão e a compor músicas para aquele instrumento, ou que estivera preso.
Embora, no início de sua vida profissional desse os seus concertos apenas na Itália, sua fama como violinista-virtuoso logo espalhou-se por toda Europa.

Algum tempo depois passou a viver com Antonia Bianchi e em 1925 nasce seu único filho, Achille Ciro Alessandro.
 Além de sua aparência sombria, suas composições são tão surpreendetes e exigem tanto do violinista, que começa o boato de um acordo com o demônio para poder tocar daquela maneira, que as cordas de seu violino seriam confeccionadas com os próprios cabelos do diabo. Outra história dizia que sua habilidade vinha de anos de prática na prisão, condenado pelo assassinato da amante. Nesta versão, as cordas do seu instrumento seriam feitas dos intestinos da infeliz vítima.
Algumas vezes, pelo simples prazer de assombrar, Paganini sacava uma tesoura e cortava três cordas do violino, prosseguindo o concerto somente com uma, a corda sol.
Franz Liszt expressou a maravilha do público francês quando ele exclamou: “Isso que é um homem! Isso que é um violino! Isso que é artista! Céus! Que sofrimentos, que miséria, que tortura nessas quatro cordas!”.
Multidões pagavam preços exorbitantes para assistir as apresentações daquele músico magrelo e feioso. Comerciantes colocavam o nome do ídolo em produtos tão diversos como perfumes e botas. As turnês incluíam as cidades mais importantes da Europa, com destaque para Viena, Milão, Hamburgo, Paris e Londres, onde os lucros foram suficientemente grandes para que ele ficasse milionário.
Sem dúvida, o italiano Nicolò Paganini foi uma espécie de popstar musical do século passado.
Entre várias outras honrarias, Paganini foi sagrado Cavaleiro da Espora Dourada pelo papa Leão XII, nomeado virtuoso da corte do imperador da Áustria.
Paganini faleceu no dia 27 de maio de 1840 com 58 anos.

Posto aqui uma gravação que eu adoro do Concerto para Violino n° 1 em Ré Maior.
Essa gravação é da Sinfonica de Munich e com o violinista Ivan Cerkov.
O papai comprou esse disco em Itu, e é a nossa gravação preferida desse concerto.


Também posto um video com a execução do Caprice No. 24 pelo Jascha Heifetz.





Beijos,

Lia

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Patápio Silva

Olá amigos!
Hoje é aniversário de um músico que admiro muito. Ele nasceu em Itaocara - RJ (22/10/1880-81), cresceu em Cataguases (interior de Minas), onde aprendeu o ofício de barbeiro com o pai. Depois mudou-se para o Rio e se tornou um dos maiores flautistas do Brasil.


Este é o virtuosíssimo Patápio Silva.




Quando Patápio era menino, em Cataguases, tocava flauta de folha-de-flandres (que é uma flauta feita de uma "folha" de ferro) que conseguia com negociantes árabes.

Estudou solfejo e teoria com o maestro Duchesne que também morava em Cataquases. Assim que Patápio conseguiu uma flauta com chaves começou a tocar nas bandas dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Nessa época ele já se destacava e conseguiu ficar bastante conhecido.

Por volta de 1900 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde procurou o mestre Duque Estrada Meyer, que o viu como um "diamante bruto" e incumbiu a si mesmo a tarefa de lapidá-lo.

Duque Estrada Meyer preparou Patápio para o exame no Instituto Nacional de Música, onde já se matriculou no terceiro ano. Patápio fez todo o programa de flauta do INM, previsto para ser realizado em seis anos em apenas dois.

Na época em que ingressou no Instituto, começou a gravar discos para a Casa Edison. Em 1902, quando se formou com distinção ainda ganhou um concurso, onde levou o grande prêmio: uma flauta de prata!!!
Patápio era  um assombro, seu domínio do instrumento era incrível.
Ouça aqui a gravação de Variações para Flauta, que na verdade é um trecho de Concert Fantasie Op. 382 de W, Popp. Veja se realmente não é de cair o queixo ouví-lo tocar esta obra. O Allegro de Terchack não é nem um pouquinho menos impressionante.

Patápio foi um brilhante flautista e excelente compositor. Patápio havia tocado em bandinhas e "viveu" a música popular de seu tempo, que se refletia na sua obra. Mas sua obra trazia um outro aspecto muito interessante: ele era um músico antenado a produção erudita internacional, e assim como Liszt, Paganini, Popp, Chopin... utilizava todos os recursos técnicos possíveis em suas músicas, fazendo com que apenas flautistas com o domínio pleno do instrumento sejam capazes de executar sua obra.
Ouça aqui a linda ária O Sonho, composta pelo próprio Patápio. Existem duas versões desta música: a versão impressa (que é a que o Altamiro Carrilho gravou em seu disco de homenagem ao Patápio, e é a que eu toco também) e esta que você acabou de ouvir, onde Patápio modificou a parte do meio.
Aqui você ouve a lindíssima Margarida, também composta por Patápio, e finalmente sua música mais famosa: a valsa Primeiro Amor. É legal ouvir "Só para moer", que mostra um lado mais popular do flautista, composta por Viriato Figueira da Silva
Patápio queria ir para Europa, para poder estudar música. Com este objetivo em mente, agendou uma turnê pelos estados brasileiros para conseguir juntar o dinheiro necessário para a viagem. Apresentou-se em Minas Gerais, São Paulo (onde foi acompanhado pelo jovem pianista Marcelo Tupinambá), Rio de Janeiro e Paraná. Fez muito sucesso na turnê, por onde passava deixava novos fans e critícas positivas nos principais jornais eram publicadas a seu respeito. Em Florianópolis contraiu difteria após uma apresentação espetacular e veio a falecer 5 dias depois, com apenas 26 anos. Realmente uma pena que a carreira deste músico tão brilhante tenha sido abreviada desta forma...
Existe uma versão mais "romantizada" da morte do Patápio, que os flautistas gostam de contar! =)
Bom, Patápio estava em Florianópolis e teria se apaixonado pela filha de um alemão de lá. O pai da moça não ficou nada feliz ao ver sua filha se engraçando com um músico negro. Então na noite do show, ele mandou que colocassem veneno no porta-lábio (aquela parte do bocal aonde a gente coloca a boca e sopra) da flauta do Patápio. Durante o concerto, Patápio lambia os lábios para umidecê-los (prática comum dos flautista) e ia ingerindo sem saber minúsculas quantidades do veneno. Foi passar mal depois do show e mesmo sob cuidados médicos depois, não resistiu... E esse teria sido o fim de um dos maiores flautistas que o Brasil já teve.
=)
Viram só? Histórinhas de flautistas!
Um beijo a todos,
Corina

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

José Ramos Tinhorão

Olá pessoal!
Hoje não irei contar a história de um músico ou grupo musical. Contarei um pouquinho pra vocês de José Ramos Tinhorão, crítico musical implacável e pesquisador.
Tinhorão nasceu em Santos, a 7 de fevereiro de 1928 e mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro em 38. Formou-se em direito (profissão que nunca exerceu) e jornalismo.

"José Ramos Tinhorão poderia ser chamado de 'o boca maldita' do século XX. Amado e odiado na mesma intensidade, o crítico musical ganhou fama, principalmente, por atacar 'quase unanimidades' do cenário brasileiro, como Tom Jobim e Chico Buarque e ser implacável com a bossa nova. Chegou mesmo a escrever que 'Águas de Março', de Jobim, não passaria de mero plágio. Mesmo despertando sentimentos apaixonados, Tinhorão, certamente, é um dos grandes nomes da crítica musical brasileira." (ÉPOCA)

Nós 3 somos muito fãs dele! =)
Não sei se vocês já repararam, mas grande parte das coisas que a gente posta aqui do IMS são do acervo dele. Seu acervo contava com cerca de 7 mil discos de 78 rmp que foram lançados comercialmente entre 1902 e 1964. Ainda bem que todo esse tesouro foi parar nas mãos do Instituto Moreira Salles, que tratou de disponibilizar tudo para o público através do site www.ims.com.br.

Estou lendo a "História Social da Música Popular Brasileira (editora 34)", e confesso que estou ADORANDO este livro. Estou no meio do segundo capítulo: Brasil Colônia, mas já descobri coisas que nunca iria imaginar.
Você sabia que se tocava "atabaque" em Portugal? Eu, particularmente, sempre ouvi e acreditei que este instrumento veio direto da África para o Brasil, junto com os negros escravos.

"... quando tal gente rural se divertia em suas pequenas vilas e povoados, suas danças e cantos constituíam sempre reuniões da comunidade ao ar livre, com rodas e pares evoluindo nos terreiros - vozes em coro - ao som de instrumentos feitos para animar o ritmo e dominar o alarido: gaitas, flautas, pandeiros, adulfes, atabaques, bombos e tamboris." (pg.19, 1998 - TINHORÃO)

Realmente estou muito impressionada com este livro, acho que vou acabar descobrindo muitas coisas novas para mim (e pra muita gente, pelo que tenho conversado por aí) sobre a música popular brasileira.

Gostaria de terminar o post com o texto da contra-capa do livro "História Social da Música Popular Brasileira", escrito pelo próprio Tinhorão, e que eu diz exatamente o que eu vejo na nossa música:

"Assim - e esta História Social da Música Popular Brasileira deixa claro - , do ponto de vista cutural e ideológico tal realidade de dominação econômica traz para o povo dependente uma consequência cruel: é que, ao envolver a idéia de modernidade e de universalidade (quando se sabe que o que se chama de universal é o regional de alguém imposto para todo mundo), o som importado leva os consumidores nacionais ao desprezo pela música do seu próprio país, que passa então a ser julgada ultrapassada e pobre, por refletir naturalmente a realidade do seu subdesenvolvimento.
Essa espécie de vergonha da própria realidade, desenvolvendo-se principalmente entre as camadas de classe média com caráter de autêntico complexo de subdesenvolvimento, conduz, assim, a uma progressiva perda ou desestruturação da identidade cultural, o que desemboca no ridículo de, ao procurarem tais consumidores colonizados apresentar-se como modernos, só conseguirem aparecer como estrangeiros dentro do seu próprio país.
Essa é a realidade que esta História social da música popular brasileira conta: quem achar que não, que conte outra.
José Ramos Tinhorão"
Beijos,
Corina

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ô abre alas

Oi  :D

dia 17 de outubro, uma grande compositora completaria 162 anos: Chiquinha Gonzaga

Bem, a Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, na Rua do Príncipe.
Fiha do marechal-de-campo José Basileu Neves Gonzaga e de Rosa Maria, mulata e mãe solteira.
A Chiquinha começou  a estudar piano com o maestro Lobo, já aos 11 anos compôs sua primeira música, uma cantiga de Natal : Canção dos Pastores.

Ela se casou com 13 anos com o oficial da marinha mercante Jacinto Ribeiro do Amaral, escolhido por seus pais. Mas com 18 anos ela abandonou o marido, levando os filhos consigo e passou a viver com um engenheiro de estradas de ferro, e logo depois se separou também.

Chiquinha aos 18 anos de idade.
Ela estava sozinha. Para se sustentar, dava aulas de piano. Mas foi através do flautista Callado (Joaquim Antônio da Silva Calado, compositor do primeiro choro que eu aprendi: Flor Amorosa) que ela passou a tocar em festas e freqüentar as rodas dos "chorões".

Antônio da Silva Calado.
Seu primeiro sucesso foi a polca Atraente, de 1877.
curiosidade : essa música foi composta ao piano, de improviso. Isso mesmo, de improviso, durante uma festa em homenagem ao compositor Henrique Alves de Mesquita. 


Aproveite e assista o Choro das 3 interpretando Atraente na Rádio Matraca  


Nessa época ela se aprimorou no piano com Artur Napoleão (nasceu em Portugal e faleceu no Rio de Janeiro -  compositor, pianista, comerciante de instrumentos, editor de partituras, e professor).

Contudo, a Chiquinha Gonzaga queria mais. Ela queria entrar para o meio do teatro, que na época era fechado às mulheres, e musicou o libreto de Artur Azevedo Viagem ao Parnaso, mas, foi recusada por todos os empresários.


Não desistiu. Escreveu e musicou em 1883 a peça em um ato, Festa de São João.

Tela de Yole Travassos.
A partir da opereta A corte na roça, com poesia de Francisco Sodré, estreada no Teatro Imperial, ela conseguiu se impor e se firmar no  mundo musical brasileiro da época.
 Em 1885, dirigiu os músicos do teatro e a banda da Polícia Militar, tornando-se a primeira mulher do Brasil a reger uma orquestra.
Em 1887, fêz um concerto com cem violões.
 A chiquinha também participava ativamente no movimento de libertação dos escravos, e para arrecadar fundos para Confederação Libertadora, ela vendia suas partituras de casa em casa.

E foi em 1897 que ele compôs no ritmo rural estilizado do corta-jaca o tango Gaúcho - fêz muuuuuito sucesso!!!!

( e foi a primeira música que nós três tocamos juntas)


curiosidade:Gaúcho ou Corta-Jaca???
bem, quando ela compôs se chamava Gaúcho, e foi lançado na peça Zizinha Maxixe, de Machado Careca. Ele gostava de dançar este tango, e quatro anos depois , escreveu uma letra para a composição, que passou a se chamar Corta-Jaca. E mesmo assim:

Fêz muuuuuuito sucesso ! hehehe
 E inclusive, o Corta-Jaca foi tocado no Palácio do Catete, por indicação da esposa  do presidente Hermes da Fonseca, Nair de Tefé.


Mas foi em 1899, que a pedido do Cordão Rosa de Ouro, do Andaraí, Chiquinha compôs a música pela qual é mais reconhecida: Ô abre alas - primeira marcha carnavalesca.


"Ó abre alas
Que eu quero passar
Ó abre alas
Que eu quero passar
Eu sou da Lira
E não posso negar
Rosa de Ouro
É que vai ganhar [...] "


Entre 1902 e 1910, ela viajou bastante : Portugal, Espanha, Itália,França, Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Escócia. Inclusive na sua terceira viagem à Portugal, em 1906, ela se tornou bem conhecida do público ao músicar várias peças portuguesas.

Em 1912, ela voltou para o Brasil para assistir a estréia da opereta que musicou, Forrobodó. Esta foi apresentada 1.500 vezes. ( ou  seja: suceeeessooo!!!)


curiosidade: em 1919 ela fêz uma campanha para arecadar fundos para construir uma nova sepultura para Francisco Manuel da Silva ( compositor do Hino Nacional Brasilero).
Francisco Manuel da Silva.

Calma aí! Não é só, hehe. No início so século XX, Chquinha começou um romance que duraria até o fim de sua vida, com um rapaz 36 anos mais novo que ela, João Batista.
curiosidade: para evitar "maus comentários" a esse respeito, ela apresentava João, como seu filho.


Francisca Gonzaga faleceu  em seu apartamento no dia 18 de fevereiro de 1935, numa antevéspera de Carnaval, deixando para nós músicas para 77 peças teatrais, e cerca de duas mil composições em gêneros variados: valsas, polcas, tangos, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, mazurcas, choros, serenatas, etc..

E deixando também um grande " bom" exemplo para as mulheres!

A última foto de Chiquinha, feita em seu aniversário de 85 anos.

beijos
Elisa

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Regional do Canhoto II

Olá fiel leitor do blog!
Continuando o post sobre o Regional do Canhoto, vou colocar de novo os links das músicas que não funcionaram. Acho que o ims deve estar com algum problema no site...
Aí vão os links pra quem quiser ouvir a gravação de "Rato-rato - do Casemiro da Rocha" e pra quem quiser ouvir "Gracioso - Altamiro Carrilho".
(Se você é usuário de Windows, clique na opção do Media Player pra ouvir, se você usa Mac é só clicar no Quick Time.)

Eu gostaria de compartilhar com você, fiel leitor do nosso blog três gravações, sendo que duas delas são absolutamente raríssimas...
Há uns 6 anos, ganhamos de um amigo em São Paulo, um cd com dois LP`s do Regional do Canhoto. Esse nosso amigo tinha os LP`s e apenas passou para um cd, sem nos dar o nome do disco, ficha técnica, nome das faixas... enfim, só a maravilhosa música mesmo.
O primeiro LP era o "Roda de Bamba" - com o Carlos Poyares na flauta. Coloco aqui a primeira faixa do disco, uma composição do Dino 7 cordas, Gingando.
(Novidade no Blog do Choro das 3: agora temos mp3 player!! Chic, né? heheehehe)



Este disco possui várias músicas conhecidas, como o Tico-tico no fubá, André de Sapato Novo, Se acaso você chegasse, Boneca... uma curiosidade é que todas elas são tocadas bem abaixo do andamento normal... nosso amigo Gagliardi disse que eles gravaram assim para que as pessoas pudessem dançar.
No segundo LP (que eu não consegui descobrir o nome e muito menos ter qualquer tipo de informação sobre o mesmo) ouvimos o Regional do Canhoto com a participação do Abel Ferreira dividindo com Poyares ou Carrilho (alguns músicos me garantem que é o Poyares, enquanto outros juram que é o Carrilho... mas o fato é que é um dos dois) frases de contracanto... uma mais bonita que a outra. Eles estão acompanhando o cantor Miltinho, que era considerado o Rei do Ritmo.
Além de extremamente afinado, Miltinho tinha uma dicção de dar inveja e um domínio completo das subdivisões ritmicas. Escolhi a música "No Rancho Fundo", pra você observar. Você deve conhecer a música, então tente cantar junto pra ver como ele subdivide de maneira diferente. Por diversas vezes ele vai "enganar" você.



(você deve estar se perguntando porque o Choro das 3 postou uma música do Chitãozinho e Chororó aqui, mas nós garantimos: a música é uma parceria dos mestres Ary Barroso e Lamartine Babo. Aliás, a dupla sertaneja mudou algumas notas da melodia quando gravou, pra ficar mais "sentimental" eu acho, hehehe. Por isso, esta gravação traz várias oportunidades: de ouvir o arranjo lindíssimo e de extremo bom gosto do Regional do Canhoto - com essa flauta maravilhosa durante toda a música - de ouvir a interpretação do cantor Miltinho, e é também uma oportunidade de conhecer a obra com as notas que foram escritas pelo compositor.)

A outra música é deste mesmo LP do Miltinho com o Regional do Canhoto. Ouça no nosso novo player a linda "Se tú soubesses" dos compositores Cristóvão de Alencar (um paulista que viveu no Rio) e Georges Moran (um Russo! Isso mesmo, Russo) .



Bom, é isso! Me digam o que acharam do Miltinho e Regional do Canhoto, ok?
Beijos,
Corina

sábado, 10 de outubro de 2009

Regional do Canhoto

Hoje vou contar pra vocês um pouquinho da história de um dos maiores conjuntos reginais que o Brasil já teve: O Regional do Canhoto.
O Regional do Canhoto era formado pelos músicos do antigo conjunto Regional do Benedito Lacerda.
O Regional do Benedito Lacerda era o conjunto preferido dos cantores daquela época... portanto eles eram os mais requisitados. Com o cancer de pulmão, Benedito foi se afastando aos poucos da profissão, mas o seu conjunto era ainda muito requisitado. Os músicos decidiram então, que precisavam colocar um outro flautista no lugar de Benedito e continuar com o trabalho. Chamaram o grande mestre Altamiro Carrilho, que ficou durante muito tempo no grupo e o acordeonista Orlando Silveira. Todos chegaram a conclusão de que o Canhoto deveria assumir a liderança do Regional, já que ele era o músico que estava há mais tempo no grupo.
O Dino passou a tocar o violão de 7 cordas (pois com Benedito ele tocava o de 6), segundo ele mesmo nos disse em Tatuí, baseado nos contrapontos que o mestre Pixinga fazia no saxofone.Na foto vemos Altamiro Carrilho (no alto e no funfo), Meira (atrás no meio), Orlando Silveira (atrás na esquerda), Canhoto (com o cavaquinho na frente), Gilson Freitas (com o pandeiro) e o Dino (atrás do Gilson com o 7 cordas).

Ouça aqui fantástica gravação de Rato Rato, de Casemiro da Rocha, executada pelo Regional do Canhoto. Esta é na minha opininão a melhor gravação desta música!

Aqui você ouve o "Gracioso" baião de Altamiro Carrilho.

No início dos anos 60 o Altamiro foi substituído pelo também excelente flautista Carlos Poyares (no canto direito).
Esta semana postarei algumas gravações do Regional do Canhoto com o Carlos Poyares e acomanhando cantores. É realmente um trabalho fantástico!
Se você é um instrumentista e quer tocar choro, você não pode deixar de ouvir este conjunto histórico.
Acompanhe nosso blog e descubra um pouco mais da história deste conjunto fenomenal!
Beijinho!